A EVOLUÇÃO DOS TÉCNICOS EM PRÓTESE DENTÁRIA NO BRASIL


A profissão de protético já conta com uma longa história de antiguidade, não havendo sequer registro dos pioneiros por todo o mundo. Existem registros de próteses dentárias realizadas por povos como os egípcios, fenícios, romanos, maias, japoneses e outros, datadas ao século IV e V a.C.
Durante séculos, a atividade foi baseada em conhecimentos empíricos, não havendo qualquer tipo de conhecimento cientifico dos procedimentos técnicos na execução dos trabalhos realizados. Para muitos historiadores, os fenícios foram os verdadeiros precursores da prótese dentária; já no Brasil, não se tem dados históricos de quando e como surgiu a profissão do protético dentário, nem de seus trabalhos pioneiros. Diz a história, que a profissão deriva dos ourives, barbeiros ou Tiradentes, dentistas, protéticos e hoje, técnicos em prótese dentária.

Nas técnicas de prótese fixas, das coroas estampadas em ouro para as fundições, saímos dos foles que gerava ar aos maçaricos para fundir as ligas, com intervalo de fusão bastante baixo e as centrifugávamos em gira-mundo, para as centrifugas mecânicas, elétricas, de plasma, por indução, que fundem ligas com intervalo de fusão altíssimo, com maçaricos de altas fusões e cilindros de oxigênio e GLP. Para hoje utilizarmos as usinagens nos sistemas Cad Cam e as sinterização a laiser, sem que se tenha que modelar em cera, incluir em revestimento e fundir as peças; trabalho todo projetado, corrigidos e escaneados por programas em computador e enviados por código de barra para uma central de usinagem ou em sistemas completo no próprio laboratório. É A EVOLUÇÃO TÉCNOLOGICA DOS TRABALHOS PROTÉTICOS, e porque não dizer também econômica, pois saímos de equipamentos que custavam em torno de r$ 100,00 para r$ 1.000,00; r$ 6.000,00; r$35.000,00 até nos dias atuais a r$ 300.000,00 E nas P.P.R.Gs., os encaixes, attchaments e as fresagens saímos das fundições de ligas de ouro de excelentes qualidades, mas muito caras, para as ligas de Cr.Co, Co.Cr. e titânio com bons resultados de baixo custo e podendo solucionar casos de uma camada da sociedade menos favorecida economicamente, com resultados funcionais satisfatórios. E o que dizermos então das cerâmicas, coroas, pontes fixas, restaurações inlays, onlays, núcleos, facetas e outros? Estamos vivendo a odontologia cosmética, com isso o metal esta sendo substituído por outros materiais tão resistentes quanto, e mais estéticos tipo: inceram, e-max , zircônia, cerec, empress e outros que fazem uso de equipamentos de alta tecnologia e também são feitos no sistema Cad Cam (É a era da informatização nos laboratórios). Na ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares, nossos técnicos estão cada vez mais qualificados, atendendo à demanda dos CDs especialistas, executando os mais variados tipos de aparelhos das escolas gnatológicas. Ex: Quadri-helix, Bimler, Reguldor de Frankel, Bionator, Klammt, Placas com pistas, Mac-Namara, Pendulo e Pendex, dentre outros. Temos a prótese buco-maxilo facial. Existem técnicos atuando em alguns hospitais públicos e privados, auxiliando na confecção de próteses dos mais variados tipos da cabeça e pescoço. Por exemplo: olhos, pálpebras, orelhas, nariz, mandíbula e maxilares, ajudando na reabilitação de seres humanos muitas vezes mutilados por acidentes ou patologias diversas. Nas próteses sobre implantes, desde as coroas, próteses fixas e prótese total implanto-retidas cimentadas ou parafusadas, as barras clip, os magnetos, os sistemas orings e barras de protocolos, dentre outras atividades mostram o quanto nossos técnicos evoluíram na arte de reconstruir sorrisos e não devemos parar de acompanhar os avanços tecnológicos e industriais da nossa profissão.

O protético dentário só entra em cena em 1943, através do Departamento Nacional de Saúde Pública que criou a Portaria n.° 29, que obrigava o protético a prestar exame, passando por uma banca examinadora, para só então, trabalhar com a prótese. Graças a essa exigência, os profissionais começaram a se conhecer. Acabavam se encontrando na inscrição e posteriormente, na Faculdade de Odontologia para prestar o exame prático e oral. A prova escrita pouco exigia do candidato. Eram questões simples, de terceira série primária, e na oral, as perguntas faziam referências aos aparelhos usados na atividade, ou seja, era uma prova apenas para legalizar os que já praticavam a profissão. Todos os inscritos foram aprovados. Depois de legalizados os protéticos passaram a sofrer uma maior fiscalização e a ter que requerer alvarás da prefeitura, para abrir seus laboratórios . Legalizada, a profissão começou a ganhar mais força e os profissionais foram ficando mais unidos. Tanto que fundaram uma Associação, a Associação Profissional dos Protéticos Dentários do Rio de Janeiro. Idéia de um grupo de 65 profissionais, liderados por Pedro Côco, Dulcardo Allioni, Mario Rocha Pinheiro e Nilda da Purificação. Isso no ano de 1944. A Associação que só foi reconhecida pelo Ministério do Trabalho, 11 anos depois, em 1955. Apesar dessa exigência “marginal”, a entidade não deixou de se organizar. Seu primeiro presidente foi Oswaldo de Azevedo Vidal, que ocupou o cargo por mais de um mandato. Na verdade, a associação teve apenas três diretorias, antes de se transformar em sindicato

No dia 18 de janeiro de 1954, a associação deu lugar ao sindicato. Nascia, então, o primeiro sindicato dos protéticos do Brasil. Funcionado numa pequena sala na Avenida 13 de maio, centro da cidade, o Sindicato dos Protéticos Dentários do Estado do Rio de Janeiro, dava início a um tempo de muitas lutas. Mensalmente, um grupo pioneiro formado por nomes como: Alcides de Oliveira, Oswaldo Ramos – que já haviam sido presidentes na associação, Jair Manzzoni, Orlando Volga, José Pereira da Silva, e outros tantos se reuniam para tratar da admissão de novos sócios – tarefa que exigia um trabalho de “catequização” da classe -, elaboração de estatutos, estudo de tabela de preços dos serviços de prótese executados, e a velha questão do relacionamento entre os protéticos e dentistas, até hoje bastante polemica. Em 1957 com a eleição de Alcides de Oliveira o sindicato ganha novo impulso. Dinâmico, extremamente idealista, Alcides provocou um “rebuliço” na prótese, criando Delegacias Regionais em vários bairros do Rio, indiciando o movimento para fiscalização do ensino da prótese, fundando a Associação Brasileira de Prótese Dentária e incentivando, pelo Brasil a fora, o surgimento de novos sindicatos e associações com viagens e reuniões com colegas de outros estados, resultaram em mais sindicatos. Como o Sindicato dos Protéticos Dentários de São Paulo, que homenagearam Alcides, dando seu nome a uma das salas da sede. Os sindicatos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, que se frise, que ele não estava só nessa cruzada, ao seu lado, protéticos como Luiz Correa, Paulo Felix da Silva, Francisco Ivayr Borges, José Ignácio Gouvêia e tantos outros idealistas. Dois anos mais tarde, Alcides passa o cargo para Milton de Sousa Barros, que desgostoso com a falta de interesse da classe pelas causas profissionais, praticamente abandona a presidência do sindicato. Sem dirigente, o sindicato acaba sofrendo intervenção do Ministério do Trabalho. Alcides com a colaboração de um advogado, Lysâneas Maciel, assistente jurídico do Ministério apresenta às autoridades, um abaixo-assinado feito por inúmeros protéticos. O ministro do trabalho na ocasião, ficou sensibilizado e o sindicato foi devolvido à categoria. O próprio Milton voltou como interventor nomeado pelo ministério, até novas eleições. Mas nesta mesma época, mais importante do que esse “acidente de percurso”, foi à realização da Semana de Prótese do Rio de Janeiro, com o apoio da Associação Brasileira de Odontologia, que cedeu os salões de sua sede para o evento. Por sinal, o protético brasileiro jamais ficou confinado aos limites de seu país, participando de congressos, seminários, encontros e jornadas de estudos no exterior .

A essa altura, o que a categoria mais desejava era derrubar a Portaria 29. Tinha cumprido um papel, mas no decorrer dos anos, ficara obsoleta. As exigências para qualificação profissional eram mínimas, substimando a capacidade e inteligência do protético. Na realidade os dentistas tinham medo, não permitiam a ascensão do protético, temendo um antigo fantasma: o dentista prático. Não entendiam que o lugar do protético é no laboratório, não no consultório. . Só na década de 70, durante a gestão de Neufran Baptista Chaves no sindicato, o Ministério da Educação criou a Portaria 86, instituindo a obrigatoriedade do 2º grau para o técnico em prótese. Representantes da classe foram convidados a participarem do grupo de trabalho, para elaborar as normas curriculares para o curso de protético . A UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, inclusive, montou um curso para auxiliar de prótese, com duração de um ano. Com a procura o curso passou a ter dois anos, formando técnicos em prótese dentária. Posteriormente, com a colaboração de dirigentes de outros estados, ai então já eleito deputado federal Dr. Lysâneas Maciel encaminhou o Projeto de Lei para regulamentação da profissão de Técnico em Prótese Dentária. O projeto teve como relator o deputado federal Braga Ramos, conseguindo aprovar a Lei 6.710 de 05 de Novembro de 1979. Através do Art. 3º desta mesma Lei, o Conselho Federal de Odontologia acatou por força de Lei, quadro a parte para inscrição dos profissionais á que se refere o presente regulamento, bem como modelo de carteira de identidade profissional que constaram expressamente a profissão de seu portador (TPD). O Decreto de nº 87.689 de 11 de Outubro de 1982 regulamentou a mesma Lei, determinando outras providências.


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